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Acordamos e após um mirrado café da manhã seguimos direto para o aeroporto.

Vôo marcado para às 13:00 com chegada em Sao Paulo às 21:30. Não, Lima não é TÃO longe assim. A diferença de fusos horários, mais o horário de verão brasileiro criam essa aberração temporal. Na verdade o vôo dura 5 horas e meia.

Mas e Machu Pichhu? Bom, quem me conhece sabe que sempre tive o sonho de conhecer a cidade perdida dos Incas. Com cerca de 1 hora de vôo meu coração apertou de pensar que estaria passando por cima de lá. Cheguei em Lima e estava o mais próximo que já estive de Machu Picchu na vida. Mas por motivos diversos não foi possível ir. Paciência. Apesar disso não mudaria como as coisas aconteceram. Foi uma bela experiência de vida e a não ser que Deus tenha uma rixa pessoal comigo, Machu Picchu vai continuar por lá pra uma próxima viagem.

Chegamos finalmente ao Aeroporto de Guarulhos e após passar por uma tranquila imigração nos vimos em solo brasileiro. Agora é procurar passagem para voltar pra casa.

Mais de 5000 mil fotos de recordações, esses posts, uma experiência de vida enorme e um agradecimento profundo no coração, a história chega ao fim.

Até a próxima…

Lima Venezuelana

A fila da imigração é algo que não havíamos visto até agora. Dava voltas e mais voltas e mais voltas. Centenas de pessoas esperando pacientemente para entrar no país.

Quanto mais andávamos mais ouvíamos algo que já estavamos desacostumados. A boa e velha reclamação em português. Era IMPRESSIONANTE a quantidade de pessoas do Brasil que víamos na fila. Aparentemente haviam chegado vôos da Gol no mesmo horário que o nosso.

Felizmente o Peru se mostrou um país preparado para a quantidade de pessoas que o visita todos os anos (especialmente depois de ter eleito uma das sete novas maravilhas do mundo). A quantidade de guichês de imigração era boa e a velocidade melhor ainda. Em poucos minutos estávamos com o 4° carimbo de entrada em um país estrangeiro no passaporte.

O aeroporto de Lima é bastante grande, bonito e organizado. As lojas ficam abertas de madrugada (o que nesse tipo de viagem é um grande diferencial) e o aeroporto estava super movimentado, inclusive com pessoas dormindo pelos cantos, provavelmente esperando vôos.

Na saída pegamos um táxi e apesar de solicitarmos determinado hotel, o taxista recomenda um outro. Cansados e querendo apenas dormir acabamos por aceitar a dica e seguimos para Miraflores, o bairro que é melhor recomendado de se ficar em Lima.

Logo na chegada do hotel uma nada simpática recepcionista tenta nos cobrar mais do que o taxista dizia que o hotel custava. Após baixar o preço diz que se entrássemos naquele horário teríamos de pagar uma diária e sair às 13:00 do mesmo dia.

Mochila de volta no táxi e pedimos ao taxista que nos leve a outros hotéis, afinal tinhamos conseguido entrar de madrugada em diversos hotéis sem ter de pagar uma diária extra. O taxista passeia pela área e na falta de um outro hotel insiste que voltemos para o primeiro para que ele converse com a recepcionista. Acabamos voltando e a recepcionista aceita que por uma diária um pouco maior que o normal entremos de madrugada e façamos o check-out às 13:00 do outro dia.

Já putos e estressados com a enrolação tanto do taxista (que sem dúvida levou uma comissão por nos hospedar naquele hotel) quanto da recepcionista (que deve ter embolsado a diferença), com o cansaço da viagem, com as condições ruins do hotel e especialmente pelo fato dela ter nos colocado num quarto no quinto andar de um maldito prédio sem elevador, decidimos dormir e sair LOGO daquela cidade.

Acordamos ao meio-dia e após um banho com um chuveiro que saía gotas de água, rumamos direto para a praia, com o intuito de conhecer as belezas do Oceano Pacífico. No caminho ligamos de um orelhão para verificar passagens da Gol de volta ao Brasil. Perdemos a noção do tempo e dos gastos e agora a viagem precisa chegar ao fim. Compramos passagem para o dia de amanhã.

Mas que praia era aquela?!?!?! A praia era uma versão pouco, mas muito pouco melhor que as praias de Cartagena. Feia, areia escura, com aspecto sujo, cheia de farofeiros e pessoas irritantes alugando barracas de sol num pedaço ínfimo de terra.

Almoçamos num bom restaurante com um buffet de frutos do mar e seguimos para um mergulho no Oceano Pacífico. A namorada só molha os pés de tanto frio. Eu não resisto e apesar dos pesares dou um mergulho no novo oceano.

Voltamos para o hotel e após um banho (muito melhor que o da manhã, pois tinham esquecido de ligar a máquina que dá pressão nos chuveiros) seguimos para o Centro Histórico de Lima.

Descemos na Praça das Armas, mais uma praça SENSACIONAL para a coleção. Prédios excelentes, igreja espetacular, iluminação de natal deixando toda a praça iluminada.

Carro no estilo caveirão do bope em frente ao palácio do governo (com namorada tirando foto na frente, o que nesse aspecto é um total contraste com a Venezuela).

Após um passeio por um shopping de artesanatos peruanos em que a namorada comprou presente pra todo mundo voltamos ao hotel.

Usando a internet do hotel encontramos uma nova iorquina que já esteve pelo Brasil e que adora o português. Diz que havia acabado de voltar de Nazca, aonde fez um vôo relativamente barato e conheceu as famosas linhas do deserto de mesmo nome, e que já havia feito o passeio a Machu Picchu (a inveja consome minha alma rsrs).

Jantar, banho, cama.

Continua…

Chuvosa Guayaquil

Depois da chuva que caiu o dia todo de ontem, ao acordar não foi diferente. Chuva, chuva e chuva… apesar da chuva a cidade é quente e MUITO abafada.

Novamente tentamos entrar em contato com as empresas de ônibus e dessa vez com sucesso, mas apenas para descobrirmos que nenhuma tinha ônibus leito para Lima, o que em uma viagem de cerca de 30 horas faz MUITA diferença.

Resolvemos mais uma vez ligar o botão do foda-se orçamento e procurar passagem de avião, afinal a última viagem de ônibus foi REALMENTE traumatizante.

A mais barata que encontramos é novamente da Avianca (já começamos a pensar em fazer um cartão de milhagens da empresa). Só tem um probleminha, todos os vôos da Avianca vão primeiro para Bogotá, para depois seguir destino. Sem outra opção, compramos a passagem.

Ou seja, depois de um planejamento de no máximo 2 dias no Equador, hoje com 10 dias deixamos esse país realmente surpreendente e que nos conquistou com seu povo, sua cultura e suas paisagens.

Após o café da manhã fomos dar um passeio pelas duas únicas “atrações” de Guayaquil.

A primeira é a Praça das Iguanas, que descobrimos ficar ao lado do hotel e que na chegada, aparentemente só tinha esquilos e pombos, e nenhuma iguana. Somente após dar uma volta toda no parque e ver algumas pessoas olhando para cima é que demos conta que as iguanas estavam todas nos topos das árvores.

Minutos observando e logo aquelas largatixas super desenvolvidas começam a descer das árvores e passear pelo chão. Após fotos segurando uma delas seguimos para o próximo passeio.

Trata-se do Malecon 2000, uma construção à beira do ocenao pacífico (que por essas bandas parece BEM feio). Na verdade é uma espécie de calçadão do Rio de Janeiro, mas sem praia, com alguns portos com embarcações bonitas e um suntuoso monumento com estátuas de Simon Bolivar e San Martin simbolizando o encontro dos dois grandes libertadores da américa latina.

De volta ao hotel para arrumar as coisas e para aguardar o horário do vôo vamos a um cyber.

Chegando no aeroporto somos novamente levados a pagar uma taxa (mais um país que se paga pra sair). Embarcamos e passamos por um Duty Free com cara de Nova Iorque, o maior que já passamos até agora.

A viagem até Bogota é traquila. Na descida do aeroporto pegamos pela primera vez tráfego de passageiros. O embarque estava lotado e a demora para conseguir chegar na sala de espera foi grande.

No meio daquela rotineira revista corporal a procura de armas na cintura e afins um policial colombiano que devia se considerar o Bruce Lee latino pressiona o polegar bem no meio do meu tórax me fazendo sentir uma dor inacreditável. A vontade foi de revidar com um murro, mas tive senso suficiente pra perceber que não seria uma boa idéia.

Em Bogotá embarcamos para Lima e nos surpreendemos com o avião. Um 767 MUITO diferente do padrão brasileiro. Um belo avião, com um outro naipe de atendimento e mordomias. Contando inclusive com telões que passaram o filme “Antes só do que mal casado”, uma comédia relativamente boba, mas que fez com que as três horas de vôo voassem.

02:00 da manhã e chegamos finalmente a Lima no Peru.

Continua…

Guayaquil Cosmopolita

6 horas e meia depois - sim, Deus olhou pra mim e pro inglês do meu lado e pensou: “Sacanagem demais vai, vou encurtar essa viagem em meia hora.” - chegamos à rodoviária de Guayaquil.

O lugar é bastante organizado até, parecendo quase um aeroporto. Em nada parecido com as últimas rodoviárias que tivemos acesso. Buscamos saber que companhias fazem Guayaquil-Lima, entretanto as duas únicas internacionais estão fechadas.

Guia em mãos e escolhemos o hotel. Pegamos o táxi debaixo de chuva e rumamos para o hotel solicitado e descobrimos que hospedagem em Guayaquil não é algo barato. O hotel parece bastante bom, mas infelizmente estão com problemas com a água quente e indicam um outro que fica na quadra seguinte.

Tudo certo no hotel e subimos para um banho e um sono com as pernas completamente esticadas e joelhos doloridos.

Acordamos tarde mas ainda em tempo de um café da manhã meio sem graça. De lá passeamos pelas quadras a procura de um cyber. Uma vez que chovia lá fora acabamos por passar algumas horas na internet.

Na hora do almoço escolhemos um que servia buffet, mas dado o preço alto acabamos por optar por um prato a la carte mesmo. No restaurante pudemos perceber duas características muito interessantes do povo de Guayaquil. Eles são muito mais gordos que todo o povo equatoriano que encontramos e são um povo muito mais cosmopolita. Sendo a maior cidade do Equador, Guayaquil tem uma miscigenação que não faz com que eles pareçam equatorianos, a própria cidade não parece equatoriana. Naquele restaurante sentíamos como se estívessemos em qualquer restaurante do mundo, de São Paulo a Nova Iorque.

Seguimos para o hotel aonde tentamos entrar em contato com as empresas de ônibus que fazem o trajeto até Lima, mas mesmo após inúmeras tentativas não conseguimos um número que funcionasse.

Por necessidade da namorada saímos rapidamente a noite para procurar um Cyber e descobrimos que as 21:00 a cidade já se encontra completamente fechada. Foi difícil encontrar um cyber aberto e mesmo assim já quase fechando.

Na volta do hotel, como estava frio e chovendo, pedimos uma sopa de galinha (praticamente uma canja) apenas para descobrir que o que eles chamam de sopa eu chamo de água quente com leve aroma de frango.

Banho e cama.

Continua…

Luna Runtun

Acordo logo cedo e deixo a namorada (mais uma vez com um início persistente de gripe) na cama. Sigo para a rodoviária para comprar as passagens para Guayaquil, com parada por uma farmácia para comprar anti-gripal (aliás, para quem for viajar, consultei inúmeros sites que indicavam uma boa quantidade de remédios para levar e muitos foram até úteis, mas nenhum falava e nem eu lembrei do básico contra a gripe, algo que a namorada sentiu bastante falta).

Ao sair me surpreendo com o trânsito na cidade. Ruas realmente cheias e ainda muitos homens vestidos de mulheres coletando dinheiro nos carros.

Chego na Rodoviária e a moça diz que infelizmente os assentos da frente já tinham sido comprados mas afirma categoricamente que o ônibus é grande, que os assentos tem bastante espaço, inclusive para esticar as pernas. Fico mais trânquilo e compro as duas passagens com saída às 23:00 do mesmo dia.

Passo pela farmácia e ao voltar para o hotel passo pelo recepcionista e um rapaz no corredor. Ao chegar no quarto encontro a porta aberta e minha namorada com cara de assustada. Pergunto o que aconteceu e ela diz que um cara entrou no quarto e ela estava meio dormindo e quando ela percebeu que não era eu ele já estava cambaleando em direção à cama.

Na hora corro na recepção mas o mais que sem graça do atendente me pede desculpas e diz que foi uma falha e que era apenas um bêbado que entrou mas que já havia sido expulso. Ainda saio na rua na intenção de se encontrá-lo quebrar-lhe a cara, mas não o vejo.

Volto para o quarto e a namorada explica que nada aconteceu. Que quando ela levantou e começou a expulsar ele do quarto ele saiu e se escondeu, foi quando ela chamou o recepcionista que logo o tirou do hotel, quando eu estava entrando.

Resumo da história, por questão de 2 ou 3 minutos o cara se livrou de levar uma surra de gente grande, porque se eu entro no quarto e vejo um cara estranho e minha namorada com cara de assustada, não ia pensar duas vezes antes de partir pra cima dele.

Enfim, nenhum incidente grave aconteceu e aprendi a jamais sair sem trancar a porta por dentro, mesmo que seja rapidamente.

Malas prontas e deixamos no hotel (que tinha check-out ao meio-dia) e partimos em direção a um SPA que a namorada havia visto em um folheto no restaurante na noite anterior.

O lugar parecia bacana e não custa pelo menos ir conhecer.

20 minutos de táxi e chegamos ao Luna Runtun, um SPA hotel que fica no topo de uma montanha. O lugar é simplesmente SENSACIONAL e a namorada não resiste a ficar e fazer alguns tratamentos e uma massagem completa no corpo.

E eu? Bom, eu fico deitado em uma Jacuzzi com uma vista inacreditável. Consigo até ver o terraço em que tomamos café da manhã nos dias anteriores. O relaxamento daquela água quente e borbulhante me faz novamente pensar em ficar milionário e me hospedar apenas em lugares assim.

Mas na verdade não o faria. Se hospedar em lugar daquele seria abrir mão de passar o que passamos na cidade de Baños, pois ninguém pagaria pra ficar num lugar completo daqueles apenas para dormir.

Acho que fizémos um belo negócio em passar lá no último dia apenas para relaxar por cerca de 6 horas.

Depois de algumas horas um casal também entra na Jacuzzi e em minutos inicíamos uma conversa. Conheço Dan, um americano com quem me identifico logo. Viveu quando criança no Equador por 9 anos e agora estava voltando com a esposa depois de mais de 15 anos sem vir ao país. Muito papo depois e sigo para o spa para esperar a saída da namorada.

Depois das quebradeiras que passamos até aqui a namorada aparece como uma nova mulher. Mais bonita, jovial, relaxada e sorrindo a tôa. Recomendo a todos os namorados que nessas viagens façam uma “loucura” dessas pelo menos uma vez. O benefício vale o custo. E por incrível que pareça o custo é menor do que se pode imaginar para um lugar daqueles.

Como estava incluído no pacote escolhido pela namorada, jantamos no restaurante de lá e aprendemos com a maître sobre a simbologia do ano novo de Baños. Ela diz que os bonecos são as pessoas que você gosta e que a queima deles representa um novo ano cheio de coisas novas. Diz ainda que se anota num papel todas as coisas ruins que você não gosta e joga nas cinzas. Por últimos diz que os pulos na fogueira devem ser dados 10 vezes para trazer sorte.

Quem dera soubessemos de tudo isso na noite anterior.

Saímos de lá renovados, relaxados e prontos para o que desse e viesse na viagem. Bom não exatamente para tudo.

Buscamos as mochilas no hotel e após um pouco de internet seguimos para a rodoviária para embarcar no ônibus que nos levaria a Guayquil, última cidade visitada no Equador.

Para começar a rodoviária INTEIRA estava fechada e sem nenhum ônibus no estacionamento. 8O Ao perguntar para um rapaz que estava por lá ele nos diz que o ônibus passa na rua e pára quando tem gente. Seguimos para o ponto imaginário aonde tinha diversas outras pessoas e aguardamos nosso ônibus.

Logo chega um casal inglês também de mochilão e que vai seguir no mesmo ônibus que nós, o que me tranquiliza um pouco. Após inúmeros sustos de ônibus caindo aos pedaços que paravam mas que não eram os nossos, o ônibus 37 com destino a Guayaquil chega.

Após as malas serem guardadas e sentarmos em nossos assentos um pensamento muito sincero passa pela minha cabeça, e quem me conhece sabe que isso pra mim seria quase impossível de imaginar. Penso seriamente em descer do ônibus, me deitar na rodoviária, esperar o dia seguinte e ao abrir a loja, entrar olhar nos olhos da mulher que nos vendeu a passagem e dar-lhe um tapa na cara com toda a força possível.

O ônibus sem sombra de dúvida foi o pior que já pegamos até aqui. Os assentos eram MUITO, mas MUITO MAIS APERTADOS que qualquer avião brasileiro que as pessoas tanto reclamam. Meu joelho estava pressionado no ferro da cadeira da frente e a namorada não parecia nada melhor. Acha que é tudo? O ônibus tinha ar-condicionado, logo as janelas eram soldadas para não serem abertas. Tudo certo, se não fosse o fato do ar-condicionado NÃO ESTAR FUNCIONANDO. :cry:

Não bastasse isso tudo a viagem levaria 7 HORAS!!! Nunca senti tanta raiva de uma só pessoa em minha vida. E caso um dia volte a Baños tenho medo de encontrar a mulher que nos vendeu a passagem.

Desesperado e sem chance de melhoras olho para a cadeira ao lado e vejo o casal de ingleses. O cara, medindo pelo menos 1,85m estava com as pernas quase no peito. Me limito a dizer a namorada dele “It’s not gonna be easy!” (Não vai ser fácil!), fechar os olhos e aguardar a noite de pesadelo.

Continua…

Ano Novo e um Vulcão Ativo

Acordamos um pouco mais tarde e com uma decisão em mente: fazer algo que não terminasse de acabar com nossos corpos já em estado crítico.

Também por ser véspera de Ano Novo sabíamos que não haveria inúmeras opções de passeios.

Seguimos para um Cyber para descarregar a câmera e gravar todas as fotos em DVD´s, apenas para ter de backup (resíduo de medo da perda das 800 fotos).

Quase 3 horas pra conseguir fazer tudo e quando vemos já são 2 da tarde. Na noite passada havia perguntado que tipo de passeio “relaxante” poderia ser feito (frisei BEM a parte do relaxante, deixando claro que era algo que não envolvesse andar absolutamente nada) e nos disseram que haviam dois tipos. Ou fazíamos um passeio a cavalo por umas cachoeiras ou alugavamos quadriciclos e subiamos uma trilha de uma montanha que ficava em frente ao terminal rodoviário da cidade e que no topo, com tempo bom, dava uma bela vista do vulcão Tungurahua.

Bom, não tinha nem 12 horas que a namorada havia ficado apavorada em cima de uma mula, então este passeio estava descartado.

Partimos a procura de um quadriciclo que aguentasse os dois, e mais uma vez o excesso de peso se mostrou um problema. Para subir a montanha o quadriciclo que aguentava os dois juntos era muito mais caro. Sendo assim optamos por cada um no seu.

Quadriciclos alugados e o dono da loja solicita que o filho nos guie em sua moto até a ponte que levava à estrada que devemos simplesmente seguir. Após pequenos contratempos da namorada até se adaptar a manobrar o bicho, chegamos ao início da trilha.

Com ambos já plenamente adaptados, numa estrada de terra que na maior parte do caminho estava vazia, a subida se torna bem divertida. Rapidamente chegamos ao topo que se mostra encoberto e sem uma visão muito boa da cidade nem muito menos do vulcão. :(

Em menos de 5 minutos tudo muda. As nuvens se dispersam e pela primeira vez temos uma visão clara e sensacional da principal atração de Baños, o vulcão Tungurahua, que começa a soltar fumaça sem parar. Sozinhos e num silêncio absoluto chegamos a escutar diversas explosões.

É realmente incrível ouvir e ver um vulcão ativo tão de perto e ainda mais com uma cidade inteira logo abaixo dele.

Apesar da simplicidade do passeio consideramos um dos melhores que fizemos até agora e descemos felizes. 

Pra quem tá acompanhando sabe que não ia ser tudo tão fácil assim não é?!?!

O cara que alugou os quadriciclos avisou que fôssemos preparados para o frio que fazia lá em cima. OK, estavamos muito bem agasalhados. Ele só esqueceu de mencionar que era aconselhavél utilizar luvar, pois descer aquela estrada, segurando o tempo todo o freio, no início de fim de tarde, fazia com que os dedos literalmente começassem a congelar. Na primeira meia hora tinhamos de parar o tempo todo para exercitar os dedos. Até que comecei a olhar os quadriciclos e pensar: “Isso tem um motor. Tem que ter algo quente em algum lugar!”. Foi a solução para o problema. De tempos em tempos colocávamos a mão na lateral e esquentávamos os dedos.

No fim da descida, decidimos que estava mais do que na hora de ir embora. Passamos pela rodoviária e a loja que vendia as passagens para Guayaquil já estava fechada. Deixamos recado com a do lado e ficamos de voltar lá logo pela manhã do dia seguinte.

Quadriciclos entregues e “bronca” no dono de não ter avisado para usar luvas e retornamos ao hotel para nos prepararmos para as festividades de ano novo.

Depois do banho tomado resolvemos ir jantar e passear pela cidade para ver o que havia de legal no ano novo. Qual não é nossa surpresa ao sair na rua e perceber que o ano novo deles é uma espécie de “Carnaval com Halloween e uma pitada de Festa Junina”.

Parece estranho, mas é bem divertido. Todos na cidade se fantasiam, muitos homens inclusive de mulheres (carnaval). As crianças se fantasiam de monstros e pedem balas ou moedas nas ruas (halloween) e o mais interessante, à meia-noite o que vale não são fogos de artíficio ou champanhe, a cidade que estava com bonecos de pano espalhados pra todo lado vira uma quase enorme fogueira. Eles incendeiam todos os bonecos e fazem fogueiras no meio da rua. Depois ficam brincando de pular fogueira (festa junina).

Sem dúvida, um Ano Novo para ficar na memória.

Continua…

Laguna de Quilotoa

Acordamos cedo e após mais um café da manhã no hotel, com a característica vista espetacular, seguimos para a loja de tour para embarcar na caminhonete que nos levaria ao Quilotoa.

Dada minha experiênicia ruim, já estava pronto a ver uma F1000 de 1970 em estado deplorável. Com um atraso de cerca de 40 minutos do horário combinado acabo por me surpreender. Chega um bondoso senhor em uma espécie de Frontier cabine dupla praticamente nova.

Na ida o senhor diz que irão mais duas pessoas. A namorada já faz cara de estressada, e dessa vez com toda razão. Afinal a mulher da loja disse que estávamos pagando relativamente caro porque só iriámos os dois. Daí ir apertado na caminhonete seria motivo para cancelar o passeio.

Para nossa surpresa os dois eram na verdade amigos do guia, que deveriam estar indo de carona pra não perder a oportunidade e foram na caçamba da caminhonete.

Tudo certo e iniciamos o passeio. Logo na saída da cidade o guia mostra um pedaço da estrada que foi destruído pela última erupção do vulcão Tungurahua, acontecido em outubro de 2006 e que fez com que a cidade fosse evacuada por algumas horas.

A lava correu ao lado do centro da cidade mas passou por casas e até mesmo um hotel (algumas das casas podem ser vistas cobertas da massa preta que a lava se torna ao esfriar).

No caminho que leva nada menos que quase 4 horas (é quase a volta para Quito), ficamos admirados pela beleza da serra em que passamos.

No caminho a caminhonete é parada em determinados “pedágios”. Na verdade são crianças que levantam cordas no meio da estrada forçando os motoristas a pararem. No início parece até bonitinho, mas depois de MUITAS paradas e já sem moedinhas para dar aos pequenos anjinhos, os mesmos começavam a bater no carro, tendo um deles inclusive aberto a porta ao lado da minha namorada. Resumo da história, apesar de crianças, tratava-se de nada mais que uma espécie de extorsão.

Querendo ou não, não pude deixar de pensar que se estivesse fazendo aquela viagem dirigindo meu próprio carro, algumas daquelas crianças se não fossem rápidas seriam arrastadas até o Quilotoa, porque num país estranho e no meio de montanhas desoladas eu não pararia meu carro numa barreira daquelas nem sob pressão.

Próximo da chegada paramos em um vilarejo para almoçar. Apesar da simplicidade do local o almoço simples é bastante saboroso.

Com pouco mais de 30 minutos chegamos à entrada da lagoa. Carro estacionado e caminhamos pouco até um mirante que dá vista para a lagoa abaixo.

Explicar o que se sente com a visão daquele local é quase inútil. É preciso ver para crer, e mesmo assim creio que cada um deve ter uma experiência muito própria ante a visão daquele pedaço de paraíso na terra.

Falando em ver, vale frisar um acontecimento inusitado. Quando estamos nos preparando para iniciar a descida até a lagoa, vemos um senhor cego no mirante. Por si só isso seria um acontecimento inusitado, mas dias atrás, mais precisamente em Cartagena, conversando com a namorada, a mesma disse não entender como seria possível um cego ir a Cartagena, se não teria o que ”ver” na cidade. Eu disse se tratar quase de um preconceito da parte dela e que um cego teria uma outra percepção da cidade que nós jamais teríamos.

A visão daquele senhor idoso e cego em um mirante com uma das vistas mais espetaculares da terra foi o bastante para me fazer crer que eu tinha razão.

Iniciamos a descida até a lagoa abaixo. Mas quando digo abaixo eu quero dizer BEM abaixo. Uma primeira vista e parece difícil acreditar que seja fácil descer até lá. Pergunto mais uma vez ao guia que diz ser bem traquilo e que se ficar complicado dá pra subir de mula.

A descida é meio complicada mas possível e as vistas que se tem pelo caminho quase te impedem de pensar no quão  ingríme aquela descida é. No caminho passamos por inúmeras crianças e mulheres que descem e sobem com mulas sem parar, sempre oferendo uma para os incautos viajantes. Ora, mula pra descer? Até parece, afinal para baixo todo santo ajuda.

Quando estamos a menos de um quarto do caminho vemos os dois amigos do guia chegando na lagoa. :evil:

Apesar de passarmos por inúmeras pessoas subindo, transpirando feito loucas, respirando com dificuldade, se arrastando e pedindo socorro, seguimos descendo.

Finalmente chegamos ao fim do caminho e temos uma visão geral da lagoa, dessa vez de baixo pra cima. Vemos os grandes paredões e a água verdinha da lagoa. Ainda vemos um bonito cachorro boxer que segundo seus donos desceu com eles sem problema.

Após uma série de fotos e de descobrirmos que a água da lagoa é salgada, o que nos faz pensar se aquilo tudo um dia já foi mar, solicitamos duas mulas ao pessoal que aluga os bichos e após dialogarem com o guia, que começa a rir nervosamente, este nos diz que não querem alugar as mulas por eu ser muito gordo. 8O

Ok, Ok, Ok. Tenho consciência que estou bem acima do meu peso, mas aquelas mulas pareciam capazes de carregar muito mais que a minha pessoa. Após um pequeno stress resolvemos que por falta de opção faremos a subida a pé.

Mal começamos a caminhada e uma senhora descendo com uma mula nos oferece a mula para subirmos. Explicamos que adorariamos, mas o pessoal abaixo disse que não poderia nos fornecer as mulas. Ela imediatamente chega junto a uma pedra e começa a gritar com as pessoas lá embaixo. Em segundos as mulas são enviadas para nós. O guia explica que a senhora é a manda-chuva do local. Ou seja, pra ela perder negócio jamais.

Aguardando a chegada da mula vemos uma Lhama que vem até nós e fica por ali. Após um tempo olho pra baixo e vejo a Lhama colocando o Boxer pra correr.

As mulas chegam e subimos nelas. Tudo parece que vai correr bem, não fosse dois pequenos detalhes. O primeiro é que as mulas não têm selas. São só panos colocados no dorso do animal com uma cordinha meia-boca passando pelo pescoço. Segundo que a trilha é estreita e passa por desfiladeiros de filme de terror.

Mal subimos nas mulas e a namorada começa a dizer que não vai conseguir. Tento convencê-la a tentar, mas quando a mula começa a andar rente a um desfiladeiro e automaticamente eu a balançar, dada a falta de sela, percebo o que ela está sentindo e aceito que não vai ser possível.

Olhamos pra cima e percebemos que a entrada está BEM acima. Sem muitas alternativas iniciamos a caminhada.

Com poucos minutos de subida já começo a imaginar a VACA da mulher que nos vendeu o tour dizendo que era “fácil e tranquilo”, sofrendo torturas medievais que fariam até os inquisidores espanhóis corarem de vergonha.

Mais ou menos no meio do caminho me encontro sentado em uma pedra sozinho tentando encontrar ar para os pulmões. A namorada conseguiu fôlego para subir um pouco mais e o guia já desistiu de nos esperar e segue subindo como se nada estivesse acontecendo. Olho para aquele local e no princípio de fim de tarde, com aquele visual, com as nuvens entrando na boca da montanha e tocando a lagoa percebo um silêncio e uma paz como jamais senti na minha vida. A experiência é única e passa rapidamente, mas deixa algo em mim. Uma sensação boa e que me faz agradecer a Deus por tudo aquilo. Sinto-me feliz e por alguns instantes consigo deixar de pensar em maneiras sórdidas de matar a mulher do tour.

Mais acima encontramos uma senhora. Ela está sentada com uma garotinha ao lado admirando a paisagem. Paramos por perto e ofereço água a ela. Ela aceita e na conversa que iniciamos diz se chamar Luz, e diz ter descido até ali (até onde aguentou) apenas para admirar o local. Nos ensina a respirar corretamente o que ela diz ser o verdadeiro ar puro. Depois diz ter 71 anos. 8O

Admirados seguimos subindo, em poucos minutos Luz nos passa e segue sua caminhada.

Paro constantemente para respirar e sinto pontadas no coração. Acho que vou morrer e que a experiência que tive mais cedo não passou de uma experiência pré-morte. A namorada fica preocupada e diz que devemos chamar ajuda. AJUDA?!?! A única ajuda disponível naquele lugar é uma mula sem sela.

A “tranquila” caminhada até o topo dura mais de 3 horas e ao chegar ao topo, instintivamente me ajoelho e agradeço por ter conseguido chegar até ali sem ter tido um ataque cardíaco ou um AVC.

A sensação de ter conseguido é boa, mas a certeza de que preciso emagrecer e entrar em forma para pelo menos conseguir fazer uma subida daquelas sem parar a cada 5 minutos é maior.

A volta até a cidade é tranquila e sem grandes acontecimentos.

Jantamos uma comida leve e voltamos ao hotel. No caminho passamos pela loja de tour e vejo a senhora que nos vendeu o tour nos sorrindo e perguntando como foi tudo. Minha namorada se adianta a minha resposta e diz que foi tudo ótimo mas que foi “um pouquinho” difícil a subida. Eu volto a pensar nas torturas… volto a pensar COM FORÇA.

Deitado na cama pouco antes de dormir penso que tive uma bela experiência de vida e que apesar dos pesares tudo valeu a pena. Faria novamente.

Continua…

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