Acordamos um pouco tarde e rumamos para o cais com o intuito de saber a respeito dos passeios pelas ilhas.
Muitas ofertas e barganhas depois, acabamos optando por um passeio que diziam ir a duas grutas e a uma praia.
Já com o pensamento na próxima parada, resolvemos voltar para o hotel e deixar tudo preparado para a saída, uma vez que a volta do passeio acontecia no fim da tarde e a diária ja teria vencido. O dono, muito simpático por sinal, disse que podia guardar nossa bagagem e na volta nos deixaria tomar um banho.
Subimos em um barquinho que parecia pronto para afundar a qualquer momento e seguimos por um braço de mar com um visual espetacular.
Paramos próximos a um paredão de pedras e o barqueiro nos diz que podemor ir caminhando para conhecer a primeira gruta.
Até o momento que escrevo talvez tenha sido o lugar mais bonito que ja tenha ido na minha vida. Sem dúvida valeu todo o esforço empregado para chegar lá.
A gruta é pequena, mas cheia de pequenas atrações. Estalactites, pinturas rupestres, água brotando das paredes… insetos do tamanho de pássaros… bom, isso é um probleminha, é verdade, mas nada que tire a beleza do lugar.
De lá seguimos para uma gruta, que na verdade e so uma quebra no paredao de pedras, aonde se entra de barco. Segundo o barquero, bem acima no paredao existe uma imagem de uma santa esculpida naturalmente pela agua. Eu particularmente não vi absolutamente nada, mas eles acreditam piamente nisso e transformaram esse pedaço de pedra num verdadeiro santuário, onde as pessoas vão e deixam uma pequena estátua da dita santa. Devem existir mais de 1000 estátuas por lá.
Na sequência partimos para a ilha com a praia. De passagem vemos uma ilha aonde e possivel acampar e passar a noite e uma outra do tamanho de um quarto, aonde um casal colocou um guarda-sol e praticamente declarou ilha particular.
Chegamos na ilha principal e percebemos que apesar de muito bonita, por ter infra-estrutura, como restaurantes, é suja (latas, garrafas, sacolas plasticas) e relativamente cheia.
Caminhamos até encontrar um lugar tranquilo e vazio, deixamos as coisas e vamos pra água. Uma quase autêntica praia caribenha. Água que não chega a ser quente, mas tambem não é gelada, água límpida e verdinha, areia branquinha e um clima delicioso pra ficar na água…
Tudo transcorrendo às mil maravilhas, quando com menos de 20 minutos na água uma chuva surgida do nada assola toda a região. Típica chuva de verão.
Até aí tudo bem, afinal estavamos tomando um banho de chuva no mar do caribe praticamente sozinhos. Tudo muito lindo e romantico. O problema é que após a chuva neste caso não veio a bonanza e sim um enxame de mosquitinhos de proporções bíblicas.
Não é brincadeira não. Sabem a passagem da bíblia que dizia que os insetos infestaram o egito e blá, blá, blá? FOI ISSO!!!
Tivemos de correr de onde estávamos até aonde havia mais gente. Não sei se lá eles não iam ou se a quantidade de alvos fazia com que eles se dispersassem. Só sei que o saldo foi positivo pois o sol logo voltou a aparecer e sobraram apenas algumas coceirinhas.
Esperamos o barqueiro voltar no horário combinado e voltamos para o hotel aonde tomamos um banho, ajeitamos as mochilas e saímos com um objetivo em mente. Chegar em Cartagena na Colômbia.
Aqui se inicia uma verdadeira saga internacional.
Pegamos um ônibus de Chichiriviche de volta a Valência, infelizmente no meio do caminho o cobrador do ônibus resolve avisar que, por causa do horário, o ônibus só iria ate Moron e de lá deveriamos pegar um outro ônibus para Valência.
Para nosso alívio percebemos que o cobrador não enganou apenas a nós, mas a diversos passageiros. Nessa hora conhecemos a fúria da mulher venezuelana, duas mães (com filhos de colo) iniciam um verdadeiro bate-boca com o cobrador. Resultado, todos descemos correndo e entramos em um outro ônibus para Valência. Nesse interim minha namorada ajuda o filho de uma das mães que tinha ficado pra trás.
Viagem já atrasada pois os ônibus não tem horário para partir, ficam esperando até lotar para sair.
Ao chegar em Valência partimos imediatamente para a Expresso Executivo para comprar uma passagem para Maracaibo, a cidade mais próxima da fronteira norte da Venezuela com a Colômbia.
9 da noite e descobrimos que nao tem mais passagem para Maracaibo. Partimos procurando em outras empresas de qualidade não tão boa quanto a Expresso. Quando finalmente encontramos uma empresa que tem ônibus, a passagem que era 45, passa magicamente para 50, segundo eles porque o onibus da noite é melhor.
No meio da discussão e da quase decisão de que teríamos de passar a noite em Valência para ir pela Expresso Executivo pela manhã, nos deparamos com uma senhora discutindo com o rapaz do guichê e dizendo que tinha acabado de comprar essa mesma passagem, para o mesmo onibus por 45 e que era errado o que eles estavam fazendo. Sabem quem era a mulher? A senhora que minha namorada havia ajudado com o filho. (faça boas coisas e boas coisas acontecerão a você, acredite).
Mas uma lição fica para todos que pensam em viajar. As pessoas vão tentar se aproveitar de você apenas por perceber que você é um turista. Especialmente se a cidade não for uma cidade turística.
Conseguimos a passagem pelo preço certo, e o melhor em ônibus leito. Como a viagem demora 9 horas, a intenção era usar o ônibus quase como um hotel.
Passagem marcada para 9:45, partimos para cyber no meio do uso o micro é bloqueado e travado. Eles estavam fechando e simplesmente esquecem de avisar. Pequena discussão para que pudéssemos pelo menos fechar os e-mails e voltamos para a empresa de ônibus.
Como eram cerca de 09:15 e vemos um ônibus embarcando pessoal para Maracaibo, perguntamos a senhora da empresa se aquele é nosso ônibus. Quando subimos não se trata de ônibus leito. Ao voltarmos para reclamar o dinheiro de volta somos informados que na verdade tem um outro onibus depois que e leito (que seria originalmente o nosso).
Ou seja, ela tentou encher aquele onibus conosco, mesmo tendo vendido outra coisa.
Começamos a tomar raiva das mentiras, inverdades, omissões, tentativas de ganhar dinheiro fácil e demais problemas que passamos com os venezuelanos.
No horário correto e agora sim com o ônibus correto embarcamos.
Tudo certo se não fosse um detalhe. Todos que subiram estavam com cobertores grossos. Nós apenas com nossos casacos. O ônibus era uma geleira. Mas uma geleira DE VERDADE. Eu adoro frio e as vezes chegava a tremer os dentes. Minha namorada que tem aversão a frio, antes da partida do ônibus já dava sinais de que a viagem seria complicada.
Tentamos mais de uma vez pedir para diminuir o ar, mas segundo o “gentil” motorista, era ar ligado ou desligado e ele nao podia desligar.
A noite prometia nao ser nada boa… Mas isso era so o começo de um dia que nao desejo a meu pior inimigo.
Continua…
Meu amigo, estou chorando de rir !!!
Pois em 2006 passei por muitas situaçõs parecidas.
A do Frio no onibus, foi a pior de todas.
Estou indo para a Venezuela neste final de Semana, desta vez um pouco vacinado, mas certamente muitas imprevistos acontecerão, pois é isso que faz uma viagem ter histórias para contar !!!
Abraços